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21/04/2004 17:24
[continua]...
No www.bomevelhopitacos.zip.net!
É só passar por lá.
enviada por Fabio
18/04/2004 19:11
A Rocinha é aqui
No processo de checagem, já havíamos encontrado nos registros da Polícia Civil mais 276 casos de vítimas envolvidas em processos agora na área da Grande São Paulo, dentro do universo dos 2.303 inocentes mortos na capital. Assim, o cruzamento das duas fontes judiciárias nos permite afirmar com segurança: se em um total de 3.523 vítimas da PM por nós identificadas, 1.496 eram criminosas - o que representa 42,6 por cento -, os outros 57,4 por cento nunca haviam praticado crimes na Grande São Paulo. Identificamos 2.027 inocentes assassinados pelos matadores da PM.
Rota 66: A História da Polícia que Mata, por Caco Barcellos
Além da violência propriamente dita, o caos na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, nos dá um monte de motivos pra chateação. Um deles, e não me chamem de implicante, é o reducionismo ignorante feito pela mídia.
De dez dias pra cá, só se fala em Rocinha. Os moradores da "favela" (não seria o termo "bairro" mais apropriado para um local em que moram 56 mil pessoas?) são procurados por jornalistas que, coitados, são obrigados a fornecer imagens chocantes e depoimentos desconexos aos telespectadores (leitores, ouvintes, o que seja). Nada de discussão profunda!
O tráfico é, desde sempre, um câncer do Brasil. E nunca foi tratado com seriedade pelo simples motivo de que não estamos em um país sério. É chocante que um povo tão culto politicamente com o carioca (basta nos lembrarmos de Leonel Brizola e da enorme votação de Lula em 1989) tenha eleito Garotinho e, depois, Rosinha Matheus para o governo do Estado, mas a incompetência irritante do casal não é menor que a morosidade das autoridades federais, por exemplo.
Segurança é questão nacional, prioritária em qualquer república que tenha um pingo de respeito por seus cidadãos. Os anos perdidos com a administração tucana só serviram para que fossem divulgados planos e mais planos de segurança em todo o país. Tudo no papel, a cada crise que explodia, sem que nada de concreto fosse realizado depois. Com o governo Lula, então, nem se fala. Pra decidir se é necessário enviar tropas do Exército ao Rio já é uma dificuldade, quanto maior seria pra formular um plano realmente eficaz de combate ao crime organizado...
O problema é muito maior que a simples "captura" (não é assim que os policiais dizem?) de Dudus, Edus, Cadus, Urubus, ou quem quer que seja. A questão envolve corrupção nas entranhas do poder judiciário, relação íntima entre o poder público, a polícia e os reis do tráfico, falta de controle sobre nossas fronteiras territoriais (verdadeiros "paraísos" para quem quer adquirir droga contrabandeada) e a tão obviamente comentada falta de políticas sociais consistentes que gerem mais emprego e educação e menos violência e marginalidade.
A guerra do tráfico nos morros da Rocinha é tão grave como as chacinas da polícia paulista no Capão Redondo ou as balas perdidas que podem nos ferir (mortal e moralmente) a cada esquina de São Paulo. O Brasil é um dos países mais violentos do planeta por razões conhecidas por todos, mas combatidas por ninguém.
Daqui a três meses, quando a poeira tiver baixado na grande imprensa, seria interessante abandonarmos nosso medo de classe média e darmos uma passada na Rocinha ou no Capão. Lá estarão eles, matando, morrendo e traficando, com a conivência de muita gente graúda que tenta fazer bonito sob os holofotes. E de que terá adiantado tanto alarde e tanta espetacularização da tragédia social?
Malditos holofotes são esses, aliás, que deturpam e moldam conceitos falsos, ao invés de debater idéias e sugerir alternativas.
enviada por Fabio
18/04/2004 18:42
Trinta e tantos dias.
Expectativa. Apreensão. Excitação.
[E muita, muita saudade antecipada]...
enviada por Fabio
18/04/2004 18:38
O título do São Caetano é absolutamente inquestionável, tanto pela qualidade do elenco (o grupo de jogadores, de 1 a 20 e tantos, não apenas restrito aos 11 titulares), como pela seqüência de sofrimentos com a síndrome dos vice-campeonatos.
Para quem, como este, esteve no Pacaembu em julho de 2002 assistindo à derrota do Azulão na final da Libertadores, fica até uma pontinha de alma lavada. Torci para o Paulista hoje, por causa do Zetti, mas era notório que um abismo separava os dois times.
E no Brasileiro por pontos corridos, em que o melhor elenco geralmente se dá bem, pode muito bem dar São Caetano de novo. Time grande, sim senhor.
enviada por Fabio
28/03/2004 19:14
República Federativa dos Estados Unidos da América. E o silêncio da mídia
Revista Carta Capital, um dos poucos pilares éticos da imprensa brasileira, edição número 284 (do último domingo):
As denominações são variadas. Na lista de funcionários da embaixada norte-americana em Brasília, eles são, em português, Adidos Civis, Adidos Conselheiros para Assuntos Regionais, Adidos para o Combate às Drogas, simplesmente Adidos...Em inglês, são os Country Attaché, Deputy Attaché, Legal Attaché, e por aí afora. As denominações são a cobertura para o segredo. Nem tão secreto assim, uma vez que tantos deles, quando da troca de cartões e apresentações aos congêneres de várias partes do mundo, e do Brasil também, não escondem o que fazem. Eles são agentes secretos, policiais, espiões dos Estados Unidos. Trabalham com cobertura diplomática, movem-se País afora sem controle algum, apesar dos protocolos em contrário estabelecidos em Acordos e Convênios que apenas escancaram as portas, no mínimo, em troca de alguns milhões de dólares e equipamentos: computadores, tecnologia para escutas, etc., etc.
Muito se fala sobre o golpe de 1964, que completa quarenta anos de triste lembrança. Uma ação patrocinada por assassinos que atendiam pela alcunha de milicos, travestidos de guardiões da pátria, e pelos verdadeiros donos do mundo, risonhos de seus gabinetes em Washington.
Pois quatro décadas não foram suficientes para extirpar do Brasil todo o mal. Que vivemos numa república de bananas comandada pela mesma gente há 500 anos, nunca houve muitas dúvidas. Que somos cordeirinhos do Tio Sam, também creio que não, vide os sucessivos acordos com o FMI, governo após governo. Mas nunca deixa de ser chocante e lamentável a constatação DOCUMENTAL de que essa é mesmo a mais pura das realidades. É como se o inconsciente nos dissesse: "Tá vendo, imbecil, tudo o que você sempre pensou, só que falava zuando, é verdade!".
Os Estados Unidos da América tinham, e têm, espiões no Brasil. Nosso serviço de inteligência é inteiramente patrulhado por agentes secretos estadunidenses a serviços expressamente determinados e bem definidos. Censuram a "imprensa" tupiniquim (que, é bom frisar, adora esse tipo de ingerência) e procuram combater qualquer "ameaça" minimamente significativa. É a vitória consumada do golpe, quarenta anos depois. Basta ler as duas últimas edições da revista de Mino Carta, sobretudo a última, que cita até os nomes da cambada.
A reportagem de Carta Capital, assinada pelo excepcional Bob Fernandes, não ecoa na grande imprensa. Primeiro, talvez por inveja de um veículo que ainda ousa realizar um trabalho digno. Um dos poucos que se prestam a cumprir seu verdadeiro papel, no Brasil. E depois, é óbvio, por "rabo preso" dos grandes patrões da mídia com essa gente que está sendo denunciada na reportagem. Um nojo.
Não acreditemos em contos de fadas nem em jornalismo livre. É tudo bobagem. E mais: não sejamos ingênuos a ponto de relevar a importância dos fatos denunciados. Os espiões americanos que aqui ganham seu pão de cada dia são a prova cabal de que o verdadeiro golpe jamais morreu. Ele continua vivo, diariamente, bem diante de nossos olhos.
Somos colônia.
enviada por Fabio
19/03/2004 23:37
Dor.
Não se apaixone mais, bobão.
enviada por Fabio
13/03/2004 16:20
Terrorista mesmo é José María Aznar
O primeiro-ministro, à esquerda: não há luto pelas vítimas do Iraque?
Uma série de explosões em quatro das estações de trem de Madri deixa 200 mortos e cerca de 1.500 feridos - de acordo com os números oficiais divulgados até o momento. As principais autoridades espanholas correm às tevês pra que sejam registradas suas condolências à população e cuspidas as velhas palavras de ordem da famigerada "guerra ao terror". Espetáculo muito semelhante ao acompanhado em 11 de setembro de 2001.
As mortes de inocentes nos trens da capital espanhola são tão lamentáveis e chocantes quanto as causadas pelos massacres do Iraque e do Afeganistão, patrocinados pelo governo do primeiro-ministro José María Aznar. Sim, patrocinados integralmente, com direito a discursos oficiais de apoio à política externa de George Walker Bush e até a envio significativo de tropas ao "front".
O que este Pitacos quer dizer é que Aznar é tão assassino quanto os terroristas da Al Qaeda do tio Osama, que já assumiram a autoria dos atentados embora o governo da Espanha insista em culpar os fundamentalistas bascos do ETA. Clamar pela paz mundial após total conivência com o genocídio de civis em Bagdá e Cabul é, no mínimo, uma postura covarde.
O que gente como Bush, Aznar, Sharon, Berlusconi e Blair parece não ter entendido é que o motivo que leva um palestino a se encher de bombas e se auto-explodir num centro comercial israelense, um grupo de fanáticos a tomar dois aviões e jogá-los sobre o maior prédio de Nova York, ou terroristas a destruírem quatro estações de trem no horário de pico, é o mesmo: inconformismo com o constante massacre "oficial" promovido pelos donos do mundo.
Enquanto esses senhores engravatados continuarem com suas bravatas às custas de nações tomadas pelo medo - justamente por culpa deles -, serão cada vez mais comuns retóricas baratas de "guerra ao terror" se contrapondo a ataques, explosões, aviões, ou seja lá o que a criatividade da turma do Osama alcançar.
Neste momento, queria muito saber o que se passa pelas mentes brilhantes de Silvio Berlusconi e Tony Blair, os dois próximos alvos em potencial. Onde esconder o relatório forjado sobre as armas químicas no Iraque? Como desmentir o falatório fascista contra os estrangeiros na Itália? "Esqueçam o que escrevi" não parece funcionar muito bem com a Al Qaeda.
enviada por Fabio
13/03/2004 15:32
Acabei de voltar do treino do Juventus. Graaaaaaande Rua Javari, eu já estava com saudades! Então, por favor, tratem de ler minhas cinco notas sobre o Moleque Travesso na GE.Net, tá?
Ah, e mais uma coisa: AMANHÃ, EU SOU JUVENTUS DESDE CRIANÇA! Que me desculpe o bom e velho Tricolor, mas já estamos classificadíssimos e, além do mais, ver o Corinthians rebaixado é daquelas coisas que não têm preço...
enviada por Fabio
07/03/2004 22:08
Mulheres de Atenas
*com direito à letra completa de Chico e Boal, ao final do post
Pressinto que não terei tempo pra atualizar isso daqui amanhã, dia 8. Então, que o post entre no ar agora mesmo, véspera do Dia Internacional da Mulher!
Confesso que nunca fui muito fã desse negócio de Dia Internacional da Mulher ou de qualquer outra "data especial" que lembre qualquer coisa: pai, mãe, negro, tia, avó, sobrinho, enteado etc. Definir aquelas 24 horas do ano em que temos obrigatoriamente de reverenciar este ou aquele grupo não deixa de ser um pouco preconceituoso. E os outros 364 dias, ora bolas?
Mas como o mundo também é feito de incoerências, cá estou eu escrevendo um post específico sobre as mulheres - ninguém é de ferro e, no caso delas, o dia 8 de março até tem um componente histórico a ser respeitado. Diria que minha relação com o sexo feminino é absolutamente permanente, até porque moro numa casa em que eu e meu pai convivemos honrosa e heroicamente com três mulheres! Aqui, essa história de sexo frágil sempre foi papo furado!
Com minhas queridas irmãs mais velhas, o convívio atual é bem mais saudável que outrora. Mas confesso que às vezes sinto falta da época em que brigávamos 24 horas por dia, por qualquer coisa, apenas pelo prazer de infernizar a vida de nossos pais. Coitada da minha mãe, que sempre sofreu com a bagunça dos áureos tempos infantis - e que hoje, segundo ela própria, agüenta coisa muito pior, como preocupação com violência, com horário de voltar pra casa, só pra ficarmos nas apreensões publicáveis.
Mas o convívio com as mulheres da família, convenhamos, é radicalmente oposto à relação que se tem com o sexo feminino fora do ambiente caseiro - até hoje, afinal, só conheço histórias fictícias de alguém que tenha se apaixonado pela mãe ou pela irmã...Minha primeira paixão infantil deve ter aflorado em algum dos anos do primário, talvez por uma coleguinha que devia ser linda e não dar nenhuma bola pra este pobre apaixonado. Não, jamais tive qualquer amor platônico por professoras, até porque, pelo que lembre, nenhuma de minhas "mestras" esbanjava aos meus olhos muito amor pra dar.
Após as primeiras frustrações, percebi que a relação homem-mulher poderia também ser muito divertida e saudável quando livre de qualquer interesse sexual. Sempre tive a sorte de ter muitas amigas leais, sinceras e importantes sob todos os aspectos - algumas lindas, outras nem tanto -, sobre as quais jamais tive qualquer recaída romântica. Não nego que faço questão de tê-las por perto sempre, pra que seja constantemente sepultada aquela idéia de que não é possível trocar boas palavras com alguém do sexo oposto sem que se queira ir ao motel mais próximo.
Não que o romantismo não exista, muito pelo contrário: no meu caso, aliás, sempre se manifestou intensamente! Admito ser um dos últimos adeptos do relacionamento duradouro, aquele em que a gente divide tudo e se completa a cada desejo de boa noite, sem que nos tornemos reféns de nossas caras-metade ou que transformemos a relação num chato passatempo. Embora tenha me apaixonado zilhões de vezes, sido correspondido em tantas e desprezado em tantas outras, tenho plena convicção de que amei, de fato, uma única vez até hoje. E fui amado intensamente, numa história da qual só trago belas recordações e uma admiração inabalável pela ex-musa inspiradora.
Como não poderia deixar de ser, no exato momento em que escrevo este post estou completamente apaixonado. A necessidade constante de ter alguém, aqui, bem pertinho (embora alguns muitos quilômetros de distância nos separem, neste instante) dá graça à minha pobre existência. Afinal, sejam elas mães, irmãs, namoradas, amantes ou amigonas do peito, as mulheres existem pra dar um pouco de brilho às nossas vidas mesquinhas, machistas e viciadas em jogos de futebol. Só por isso, já merecem todos os carinhos do mundo.
Prezado leitor, ilustre leitora, não é exagero dizer, com a maior das certezas, que não há algo melhor que um carinho de mãe, um sorriso de irmã, um segredo de amiga ou um beijo apaixonado de namorada. Oxalá, não só hoje, sejam ainda muitos por vir!
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seu maridos,
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite,
Se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos,
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos,
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos,
Heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos,
Orgulho e raça de Atenas
Mulheres de Atenas - Chico Buarque de Holanda e Augusto Boal
enviada por Fabio
07/03/2004 01:08
[o show do Los Hermanos é do caralho!
Detalhe de bastidores: até o Suplicy, acompanhado da nova namorada - muito mais simpática que a Marta -, estava presente na pista do Directv. Êta, senador que só me dá alegria!
Mas como eu dizia: o show do Los Hermanos é do caralho!]
enviada por Fabio
04/03/2004 12:31
Conversa de botas batidas
Nada mais propício que encerrar a semana blogueira com os protagonistas do imperdível show deste sábado:
Veja você
Onde que o barco foi desaguar
A gente só queria o amor
Deus parece, às vezes, se esquecer
Pai, não fala isso por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho
Prepara uma avenida
Que a gente vai passar
Veja você
Quando é que tudo foi desaguar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar, até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivo
Pra um amor de tantas rugas
Manter o seu lugar
Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não escondo de ninguém
O amor ja desvendou nosso lugar
E agora está de bem
Diz quem é maior
Que o amor
E abraça forte agora
Tá chegando a nossa hora
Vem, vamos valer
Vou dizer
Que a vida é passageira
Sem contar que a nossa estrela
Vai cair
Conversa de Botas Batidas - Los Hermanos
enviada por Fabio
04/03/2004 12:18
Alívio com a perda do Oscar (para desespero dos patrulheiros)
Não havia ainda comentado as quatro indicações de Cidade de Deus ao Oscar deste ano. Preferi esperar o término da festinha estadudinense pra registrar algumas palavras sobre o tema.
O fato é o seguinte: Fernando Meirelles, Kátia Lund e toda a brilhante equipe de produção do filme devem estar aliviados com a perda das estatuetas! Se ganhassem qualquer uma das que disputaram, certamente o "patrulhamento cult" cinematográfico desceria de pau em cima - como já fizeram na época do lançamento do filme aqui no Brasil, em 2002.
Desnecessário dizer o quão insignificante é a estatueta de Hollywood no currículo de quem faz cinema (ainda mais, de quem o faz no Terceiro Mundo). Não se pode levar a sério uma premiação que sequer indica Adeus Lênin na categoria de melhor filme estrangeiro, como já havia feito com Fale com Ela, do Almodóvar, no ano passado. Não dá: têm mais é que entupir de prêmios o Senhor dos Anéis mesmo...
Cidade de Deus, queiram ou não os arautos do patrulhamento, é um filme nacional muitíssimo bem produzido. Reconhecido mundialmente e multipremiado - só para não nos estendermos muito, levou troféus em Havana e Berlim. A obra de Fernando Meirelles não traz nada de excepcional e está bem distante de ser considerado o principal filme brasileiro dos últimos tempos, mas é inegável que trata-se de uma montagem bem feita, com uma puta fotografia e um trabalho seríssimo de produção. E danem-se o Oscar americano ou os cults de plantão.
Recomendável e oportuno resgatar nos arquivos do Folha Online o texto de Cláudio Assis, diretor de Amarelo Manga, na seção Tendências e Debates - publicado, se a memória não falha, no próprio domingo do Oscar. Com uma coragem incomum no meio, Assis levanta justamente essa interessante discussão sobre a (suposta) importância da premiação estadunidense para os filmes nacionais. Fala sobre a tal obsessão tupiniquim em faturar pela primeira vez a estatueta, que, no fundo, nenhum benefício traz às produções do Brasil, muito pelo contrário. Se eu achar, reproduzo o texto aqui, mas vale a pena dar uma procurada e conferir!
enviada por Fabio
28/02/2004 21:35
Saudade
O que o tio Fidel tem que eu não tenho? Humpf!
Espero que os quinze próximos dias passem como se fossem quinze breves minutos. E que, na volta, a comunista mais linda do mundo tenha milhões de histórias e experiências únicas pra contar! E as terá, certamente.
Observação: desculpem a inconstância nas atualizações! E agora não dá mais pra postar porque vai começar "Fale com Ela" no Telecine (já preparei o lenço e o balde de pipoca), além do que o cansaço após uma tarde de plantão começa a consumir este pobre escriba. Nesta semana, estejam certos, escrevo mais!
enviada por Fabio
19/02/2004 19:54
Alalaô, ziriguidum e telecoteco
Neste Carnaval, faça de tudo: leia, ouça boa música, alugue bons filmes regados a muita pipoca, vá ao cinema, namore, vá à praia, descanse, beba, durma, ria, chore, dance - só não passe por aqui, que nada encontrará de novo. O Pitacos entra no recesso da folia e só volta às atividades normais na semana que vem.
Diz, Chico:
Quando o Carnaval Chegar
Chico Buarque de Holanda
Quem me vê sempre parado, distante,
garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Sonho de um Carnaval
Chico Buarque de Holanda
Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano
Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano
Era uma canção, um só cordão
E uma vontade
De tomar a mão
De cada irmão pela cidade
No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança
enviada por Fabio
16/02/2004 20:19
Decepção: o Partido dos Trabalhadores é mesmo igual aos outros
Não escondo de ninguém que sou um cara um pouco ingênuo. E sinceramente não considero essa característica propriamente um "defeito". Às vezes, é muito importante acreditar nas pessoas, imaginar e confiar que as coisas podem dar certo, ser otimista sem deixar o senso crítico de lado.
Com o PT, foi assim. Mas agora, a frustração do tamanho do mundo veio acertar as contas com a maldita ingenuidade.
O escândalo da propina e as relações promíscuas com o dinheiro sujo do jogo do bicho, protagonizados pelo ex-assessor especial do ministro José Dirceu, foram a gota d'água pra este antigo simpatizante do partido da estrelinha. Afinal, na condição de eterno otimista, até relevava os rumos nada animadores da política econômica pró-FMI, o tratamento stalinista dado aos chamados radicais, os acordos e a troca de favores com gente da pior espécie no Congresso...Enfim, pra tudo eu sempre arrumava algum argumento de que "não era tão grave assim".
Mas veio a corrupção. Não foi o Dirceu? Não interessa. Foi o tal Waldomiro, amigo pessoal do ilustre chefe da Casa Civil nos últimos 12 anos, integrante ativo da cúpula do governo Lula. A picaretagem, flagrada pelas gravações, se deu bem debaixo do nariz do PT, sem que ninguém levantasse a voz ou tomasse a atitude que só foi tomada agora - a exoneração do envolvido na maracutaia.
Não é necessário ser acima da média pra tirar simples conclusões do episódio: ou José Dirceu resolveu jogar no lixo toda sua brilhante biografia (de guerrilheiro, militante fervoroso contra a ditadura e admirador assumido de Fidel Castro) e foi conivente com a tramóia, ou, na melhor das hipóteses, se mostrou absolutamente incompetente no caso, pois sequer percebeu a podridão que rolava a seu lado.
O episódio é tão nojento quanto simbólico. Joga na cara de simpatizantes petistas, como eu, que o sonho de um Partido dos Trabalhadores diferente dos outros, ético, transparente e sério foi por terra. Que o PT de hoje não passa de um esboço mal feito do louvável projeto de 24 anos atrás. Que "sonhamos o sonho errado", como já alertara Fernando Gabeira há alguns meses.
O que fazer daqui em diante? Sei lá. A descrença nos cega às vezes, tamanha a decepção com a morte daquilo em que sempre acreditamos. No Brasil de hoje, não há pluralidade partidária: são todos uma coisa só, misturados na lama da mesmice e do jogo de interesses.
O PT em que depositei minhas esperanças de mudança não existe mais. É um arremedo, uma alma penada que perambula no imaginário de muitos.
enviada por Fabio
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